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Paraty em Foco III - Fotojornalismo no Poder

Lula Marques e Orlando Brito foram os entrevistados da tarde de ontem para falar sobre seus trabalhos fotojornalísticos relacionados ao poder e a política. A mesa contou ainda com o editor da revista fotografe melhor, Sérgio Branco e do fotojornalista Milton Guran.

fotografos no poder 01 - fotografos no poder 01

Orlando apresentou suas fotos produzidas ao longo dos seus quase 40 anos de profissão, principalmente fotos do seu trabalho em Brasília dos principais personagens da política nacional desde a ditadura até hoje. Ele se mostrou um fotógrafo que se relaciona muito bem com seus personagens, no caso dos políticos demonstrou ter até amizade com alguns bem conhecidos, como os ex-presidentes José Sarney e Fernando Collor.

Essa relação que ele tem com seus personagens reflete bem a peculiaridade do seu trabalho, consegue fotos curiosas, cômicas e diferentes, que ninguém mais consegue. Brito está sempre planejando novos trabalhos, como livros sobre política e futebol pelo Brasil. Sem dúvida é o fotógrafo que mais registrou as grandes figuras da política nacional. A caracterítica do seu trabalho pessoal são de fotos posadas e pensadas que tem resultados muito diferentes da cobertura de política que se vê todos os dias nos grandes jornais.

Lula Marques, é fotojornalista que trabalha na sucursal da Folha de São Paulo de Brasília, tem um trabalho diferente do Orlando, como disse o Milton Guran, “seu trabalho é o de atirador de elite, tem que ficar muito ligado e não pode perder um lance, se não dança, e outro concorrente faz a imagem. Já o Orlando é um engenheiro da imagem”. Lula mostrou ótimas imagens conhecidas da política nacional mais recente, principalmente aquela foto do Hugo Chaves com as orelhas do Mickey, publicada em jornais do mundo inteiro.

chavez mickey - chavez mickey

Marques tem uma postura diferente do Orlando Brito, ele não faz amizade com nenhum político. Não gosta nem de elogio vindo deles. Ele acredita que essa postura ajuda ele a trabalhar com mais ética e isenção para criar imagens críticas, fazer denúncias, fotos curiosas e provocantes. Atento a tudo que acontece no congresso, Lula apresentou muitas imagens de flagrantes como o do presidente da França Nikolas Sarcozy flertando com a esposa do Presidente do STF, Gilmar Mendes, durante uma solenidade em Brasília. Lula disse também que as fotos que ele gosta que não são pulbicadas ele publica no blog do josias do UOL.

Depois, em conversa com os dois palestrantes, perguntei como é o clima de concorrência na cobertura diária do congresso os dois responderam a mesma coisa, que não dá nem tempo de lamentar quando se leva um furo, e deram um exemplo recente do senador Eduardo Suplicy que deu um cartão vermelho para outro senador durante seu discurso no senado. Eles contaram que não tinha mais nada de interessante para ser votado e nenhuma discussão interessante naquele dia e, quando o Suplicy subiu para falar, eles e outros fotógrafos foram saíram, enquanto que alguns poucos continuaram e fizeram a foto. Ou seja, nunca se sabe o que vai acontecer e quando vai acontecer, por isso qualquer bobeira você perde “a foto do dia” ou a primeira página do dia seguinte.

Paraty em Foco II - A Blogsfera

blogsfera - blogsfera

O encontro da blogsfera foi muito bom, a discussão girou en torno do blog do encontro Paraty em Foco, que teve início 3 meses antes do encontro e foi abastecido de informações por vários blogueiros e editado por Alexandre Belém, do blog . Fizeram parte desse blog coletivo os fotógrafos, Clício Barroso, o casal lostart , (Ig e Lou), o Fernando Rabelo do blog Imagens & Visions , Pio Figueiroa da Cia de Foto , Claudio Versiane do Pictura Pixel , o advogado Eduardo Muylaert do blog câmera 16 , a fotógrafa Luciana Cavalcanti do blog fotograficaminhamente e o fotógrafo Léo Caobelli do coletivo garapa .

A discussão girou em torno do futuro do blog do encontro Paraty em Foco, mas a conversa foi além disso. Falou-se na importância dos blogs para difusão da informação sobre fotografia, nas mais diversas formas: como apresentação de trabalhos fotográficos pessoais, notícias, calendário de eventos, concursos e prêmios, além da publicação de entrevistas, artigos específicos e novidades do mercado.

A conclusão que ficou foi que os blogs são ferramentas importantes, pois através deles os fotógrafos podem se expressar, com textos ou imagens, e ter um retorno imediato do público que acompanha seu trabalho. É uma via de mão dupla de informação, o fotógrafo publica seu post com informações e recebe em troca comentários, que são o feedback direto do seu trabalho.

Uma grande vantagem apontada na discussão foi o espaço nos blogs para apresentação de trabalhos, pois não tem a limitação dos jornais, sendo possível mostrar 20, 30 fotos com textos e links para se abordar um assunto da foram mais completa possível.

Os blogs citados como exemplos são o próprio olhaevê , o do fotógrafo Pedro Martinelli , o blog do Fotoclube de Brasília entre outros.

Outro comentário interessante é que como os blogs tem liberdade e rapidez de informação, muitos deles já estão pautando a grande imprensa.

O fotógrafo Éder Chiodetto da Trama Fotográfica acha que o futuro dos blogs é a segmentação de assuntos e temas, cada um abordará um assunto, um tipo de fotografia, ou falará de equipamentos ou fará critcas de trabalhos.

Outra conclusão que se chegou é que com os blogs se formam comunidades que buscam infrmações na mesma fonte, no caso o blog, e a partir disso surgem boas discussões a respeito do assunto abordado.

No fim das contas a conclusão que se chegou é que o resultado da junção vários blogueiros abastecendo de informações um só blog deu muito certo e que tem que continuar de alguma forma, seja no mesmo blog ou em algum outro espaço.

A entrevista blogsfera foi excelente e abriu a cabeça de vários fotógrafos blogueiros que estavam na plateia, inclusive eu!

Antes do almoço mais uma cena típica de Paraty, os cachorros estão por todos os lados.

cao - cao

Paraty em Foco

Depois de 780 km e 11h de viagem, eu e o fotógrafo Tadeu Bianconi, chegamos ontem à cidade de Paraty no Rio de Janeiro, para acompanhar o Encontro Internacional de Fotografia, Paraty em Foco.

Logo de cara fomos à casa da cultura de Paraty e acompanhamos o final da entrevista do casal responsável pelo excelente lost.art.br . O Ignacio Aronovich e Louise Chin, conhecidos como Ig e a Lou.

IMG 8253 - IMG 8253

Após a entrevista deles conversamos e descobrimos que não são só bons no que fazem, mas são extremamente legais e receptivos, trocamos algumas ideias e histórias. Eles falaram na entrevista e depois dela sobre como é a vida de um casal de fotógrafos que viaja o mundo fotografando e vendendo material para editoriais de todos os continentes.

Contaram que recentemente cobriram a corrida de bicicelta que atravessa os EUA, enquanto um cobria o evento ciclístico o outro estava fotografando outro evento na Califórnia que não estava pautado mas que surgiu em cima da hora. Ou seja, eles não param e topam quase tudo pelo planeta a fora, um grande exemplo de profissionalismo e disposição de trabalhar.

Na sequência acompanhei a entrevista do fotógrafo Alexandre Sequeira que apresentou um trabalho bem interessante realizado em uma comunidade afastada de Belém, capital do Pará, sua cidade natal. Ele conheceu o vilarejo, fotografou seus moradores, que nunca tinham sido fotografados em sua maioria, solarizou as imagens, depois com uma técnica de serigrafia, aplicou as imagens dos moradores em algum pano, cortina ou toalha de mesa dos prórpiso moradores, devolvendo o material final depois para eles, um resutado fantástico que pode ser conferido no site: http://www.culturapara.art.br/artesplasticas/alexandresequeira/index.htm .

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O outro trabalho que apresentou foi um realizado com dois adolescentes, um menino morador de uma comunidade ribeirinha próximo à Belém e uma menina moradora da periferia da capital paraense. Ele ensinou fotografia aos dois e utilizou a pinhole depois o negativo, em uma câmera point and shot, como plataforma. Colocou os dois em contato através de cartas e fez com que os dois contassem suas realidades um para o outro através de fotos. Ele uniu essas realiades através de duplas exposiçoes e sanduiches de negativos. O resultado final também é muito bom, e o melhor, ele mudou a vida dos dois, que foram contamindos pela fotografia. Depois da entrevista conversei com ele que também foi muito atencioso e receptivo.

A última entrevista foi do fotojornalista Italiano Fancesco Zizola, ganhador de alguns prêmios wordpress photo, mostrou muita lucidez e simplicidade em suas respostas, falou como sonseguiu algumas coberturas exclusivas em países em guerra, como o Iraque. Até ajuda de traficantes já pediu para conseguir trabalhar sem problemas. Ex dicípulo da Magnum photos, ele é dos fotógrafos do “quanto mais perto melhor”. Apresentou excelentes fotos durante à entrevista e respondeu a todas com um português razoável, mas entendível. Se mostrou muito engajado com as causas sociais e disse que trabalha para mostrar a realidade para o mundo. Confira seu trabalho no site: http://www.zizola.com/home.htm ou no site de sua agência Noor Images: http://www.noorimages.com/index.php?id=home

Abaixo algumas fotos da cidade de Paraty feitas hoje pela manhã:

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paraty 06 - paraty 06
paraty 11 - paraty 11
paraty 03 - paraty 03
paraty 15 - paraty 15
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Prêmio Capixaba de Jornalismo

Amigos e seguidores,

fui indicado ao Prêmio Capixaba e Jornalismo de 2009. Fiquei muito feliz com a indicação principalmente por se tratar de uma foto que gosto muito e representa muito pra mim. A foto é da barbearia do seu Tolentino, um barbeiro que tem 81 anos e trabalha no local a mais de 30 anos. No ano passado essa mesma imagem foi finalista do prêmio Leica-Fotografe na categoaria cor, outra alegria pra mim.

A história dessa foto é interessante. Há anos que eu passava pela Av. Fernando Ferrari e via aquela simples barbearia de madeira, que parece que vai cair a qualquer momento, e tinha vontade de fazer umas fotos dela. Achava, e ainda acho, o local de uma simplicidade cotidiana difícil de se ver em uma cidade grande, e isso me atraia.

Quando resolvi fazer a foto uma vizinha da barbearia me falou que o barbeiro tinha sido atacado por um cara que lhe deu várias tesouradas, e que provavelmente ele não retornaria ao trabalho. Mas, depois de um tempo, eu resolvi voltar lá pra saber notícias do barbeiro, a barbearia estava fechada e não consegui nada. Certo dia, passando pela Av. Fernando Ferrari, vi que a barbearia estava aberta, e que o barbeiro estava na ativa, isso me fez pensar que não poderia perder mais tempo e deveria fazer a foto o quanto antes.

Voltei lá no primeiro dia que consegui no final da tarde, horário que julguei melhor para a cena que eu queria. Chegando lá vi que luz estava acesa, mas as janelas estavam fechadas. Bati na janela e seu Tolentino apareceu, logo conversei um pouco com ele e disse que queria fazer uma foto dele trabalhando em sua barbearia, ele aceitou prontamente. Depois de algumas fotos posadas apareceu um cliente querendo fazer a barba e cortar o cabelo(ele cobra R$4,00), ai deixei ele trabalhar para conseguir cenas naturais do dia a dia dele.

Essa foto significa muito pra mim, pois é uma dessas centenas de cenas que nos deparamos no dia a dia que muitas vezes deixamos passar ou não temos tempo para voltar e registrar depois. Essas indicações para esses prêmios, mesmo sem ganhar nada, é um sinal que esse é o caminho que devo seguir, seguir meu olhar, minha intuição e ter mais tempo para registrar as cenas simples da cidade, que estão por toda parte, mas que nem todo mundo para ver!

A publicação dessa foto no jornal A gazeta veio através de uma matéria especial sobre o Trabalho. O editor de fotografia, Chico Guedes, solicitou as o fotógrafos que produzissem fotos de personagens da cidade que tivessem a ver com o tema trabalho. A primeira imagem minha que pensei foi a do seu Tolentino, até como uma forma de homenageá-lo pelos mais de 50 anos de profissão.

Para votar no prêmio é só acessar o link: http://www.premiocapixabajornalismo.com.br/?target=voto e depois clicar em fotojornalismo. É preciso ver todos os trabalhos para poder votar, a minha foto é a última das 10. Cada pessoa só pode votar uma vez.

Fico na torcida pelos colegas de jornal Nestor Muller (o favorito a ganhar o prêmio, na minha opinião) e Édson Chagas, que também tiveram suas fotos indicadas.

Segue a foto indicada ao prêmio e outras que fiz no mesmo dia.

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Folha entrevista Elliott Erwitt

No início dessa semana, no dia da independência do Brasil, a folha publicou excelente entrevista com o Elliott Erwitt, fotógrafo da agência Magnun. Ele disse tudo aquilo que penso sobre a fotografia digital, um pouco exagerado em alguns momentos, mas no todo, o que ele disse é a mais pura verdade!

segue abaixo alguns trechos da entrevista

ELLIOTT ERWITT
“Uma boa foto tem substância e certa magia”
Elliott Erwitt, referência da agência Magnum, fundada por Cartier-Bresson, reclama das imagens fajutas da atualidade

NOME CENTRAL da agência Magnum, referência do fotojornalismo mundial, o fotógrafo francês radicado em Nova York Elliott Erwitt fala de sua desilusão com fotos fabricadas e cores saturadas “para vender Sucrilhos e automóveis”. Reclama da falta de dedicação dos fotógrafos profissionais e revela como retratou Marilyn Monroe, Che Guevara, Simone de Beauvoir, Arnold Schwarzenegger, terriers e chiuauas.

“SENHORITA MONROE”
A atriz Marilyn Monroe retratada em 1960, nas filmagens de 
”Os desajustados”, de John Houston



SILAS MARTÍ
DA REPORTAGEM LOCAL

Não vaza para a vida real o bom humor das fotografias de Elliott Erwitt. Famoso por seus retratos de cães e por congelar a irreverência em imagens em preto e branco, faz algumas décadas que este francês radicado em Nova York reclama da morte da boa fotografia. Diz se sentir hoje um “taxista à espera de um destino” em vez de ser um inventor por trás da objetiva. 
Aos 81, Erwitt está entre os membros mais longevos da agência Magnum, referência no fotojornalismo mundial, que teve Henri Cartier-Bresson entre seus fundadores. É uma influência que ele não renega, mas não gosta muito da ideia de mentores -talvez porque um aluno seu fugiu com sua mulher depois de algumas aulas. Impaciente, rabugento, Erwitt fala pouco. Diz ser um fotógrafo que tira fotos com uma câmera. Só isso. Desde o início de sua carreira nos anos 50, cobriu um amplo espectro do fazer fotográfico -da dureza das fotos oficiais da Standard Oil Company a retratos de Che Guevara e Marilyn Monroe. 
Já publicou 17 livros de fotos, quatro deles sobre cachorros. Desiludido com as manipulações da fotografia digital e cores saturadas “para vender Sucrilhos”, está lançando agora sob pseudônimo um livro de “fotografias toscas, flores, retratos”. Antes de embarcar para São Paulo, onde participa da feira SP Arte/Foto a partir desta quarta, Erwitt falou à Folha, por telefone, de Nova York. 


FOLHA - O sr. já fotografou todo tipo de tema, mas sempre retrata cachorros. Acredita que cães são tão interessantes quanto os humanos? 

ELLIOTT ERWITT - Muitas vezes, sim. Cachorros não dão desculpas e não se incomodam. São seres simpáticos, como o meu cairn terrier Sammy, que aparece aqui e ali no meu trabalho.

FOLHA - Os cachorros nas suas imagens foram sua forma de inserir um pouco de humor no fotojornalismo? 
ERWITT - Não acordo de manhã e decido ser engraçado. Algumas das minhas fotografias são engraçadas, outras não. Muitos fotógrafos se concentram nas misérias do mundo, outros nas coisas mais belas. Eu só gosto de boas fotografias, não importa do que sejam, contanto que falem da condição humana.

FOLHA - E o que é uma boa fotografia na sua opinião? 

ERWITT - Uma boa foto tem de ser bem composta, ter substância e algum tipo de magia que não se pode explicar. Hoje as pessoas são muito desajeitadas ao fotografar. Certo formalismo ainda é importante, mas conteúdo também. Só fotos que têm os dois são memoráveis.

FOLHA - Não pensa que a fotografia digital, com a facilidade de reprodução, tenha banalizado esse tipo de memória fotográfica? 

ERWITT - Tenho a sensação que o digital só tornou as pessoas más fotógrafas. Serviu para que amadores pudessem tirar fotos, mas fez os profissionais ficarem folgados demais. Há muito menos pensamento hoje. Você pode dar uma câmera digital a um orangotango e conseguir resultados melhores do que com uma pessoa.

FOLHA - Não acredita que o sr. resiste muito às mudanças? 

ERWITT - Nada mudou. Muitas das minhas boas fotografias são as mesmas agora que eram há 50 anos. O interesse essencial não mudou e não vai mudar. Pode ser monótono para outros, porque agora está na moda ser “cool” e atual, mas não me interessa ser “cool” e atual. Não sou tão conservador, só acredito em regras na fotografia. Se você está fotografando, tem responsabilidades. Tem de fazer um trabalho honesto.

FOLHA - Há muita discussão sobre a veracidade de imagens feitas agora e também de algumas clássicas, como as da Guerra Civil Espanhola, de Robert Capa, alvo de suspeitas de fraude. Ser honesto é não manipular imagens? 

ERWITT - Se você quer ser fotógrafo, manipular imagens é uma coisa terrível. Isso ficou fácil demais e virou algo quase criminoso, e ao mesmo tempo muito “cool”, muito atual. Acho que tudo bem, contanto que não chame isso de fotografia.

FOLHA - O que é fotografia então? 

ERWITT - Fotografia é o que está ali, não o que você inventa na tela do computador. Isso vale se você quer vender Sucrilhos ou um automóvel, mas é preciso dizer que você quer vender Sucrilhos ou um automóvel. O que é especial em fotografia é que é real, não que você voltou para um quartinho e fabricou algo. Isso não é fotografia.

FOLHA - Como foram feitos seus retratos de celebridades? 

ERWITT - Foram feitos com uma câmera. Não há mistério, você vai lá, encontra a pessoa e tenta fazer uma foto que tenha a ver com a personalidade dela, mas é uma questão de sorte e simpatia. Quando vê alguém famoso ou qualquer outra pessoa que vai retratar, você tenta formar uma opinião sobre a pessoa.

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FOLHA - Quais foram suas opiniões sobre Marilyn Monroe? 

ERWITT - Tentei fazer com que as circunstâncias influenciassem mais o retrato do que meus preconceitos. Fotografei a senhorita Monroe nas filmagens do filme “Os Desajustados”. Era uma atmosfera caótica, por causa do comportamento da grande estrela que ela era. Estava muito estressada e chegava sempre atrasada às filmagens, despreparada. Mas diante da câmera, pareceu muito gentil, simpática, mesmo louca.

FOLHA - Foram todos retratos em preto e branco. O sr. usou cor só agora que fez um livro sob pseudônimo. Por quê? 

ERWITT - Prefiro preto e branco para meu trabalho sério. Não tenho nada contra a cor, só acho que preto e branco é mais bonito. Nesse livro colorido, só estou me divertindo.

FOLHA - Mas o sr. só se diverte quando está ironizando algo? 

ERWITT - Gosto da minha vida. A fotografia é minha profissão e meu hobby. Não penso nessas coisas. Sou só um fotógrafo, não fico filosofando, sou apenas um fotógrafo. Só tiro fotos.

Fonte: Folha SP

Exposição coletiva “Vitória: múltiplos olhares”

Começa no dia 1º de setembro a exposição coletiva “Vitória: múltiplos olhares”, com a participação dos fotógrafos Tadeu Bianconi, Sagrilo, Marcos Sales, Hudson Duarte, Weverson Roccio, Anderson Fonseca e Gabriel Lordêllo. A mostra fica no Shopping Rio Branco, bairro Santa Lúcia em Vitória-ES. As imagens ficarão expostas até 30 de setembro.

A mostra faz parte das comemorações do aniversário de 458 anos da cidade de Vitória.

Abaixo seguem minhas fotos que estarão expostas juntamente com as do meu sócio Tadeu Bianconi.

As imagens expostas estarão à venda, interessados entrem em contato pelo email: gabriel@mosaicoimagem.com.br

Vit  ria Gabriel Lord  llo 03 - Vit  ria Gabriel Lord  llo 03

Cópia em papel pérola no tamanho 140x100cm
Foto: Gabriel Lordêllo/Mosaico Imagem

Vit  ria Gabriel Lord  llo 02 - Vit  ria Gabriel Lord  llo 02

Cópia em papel pérola no tamanho 90x60cm
Foto: Gabriel Lordêllo/Mosaico Imagem

Vit  ria Gabriel Lord  llo 01 - Vit  ria Gabriel Lord  llo 01

Cópia em papel pérola no tamanho 90x60cm
Foto: Gabriel Lordêllo/Mosaico Imagem

Vit  ria Tadeu Bianconi 03 - Vit  ria Tadeu Bianconi 03

Cópia em papel pérola no tamanho 90x60cm
Foto: Tadeu Bianconi/Mosaico Imagem

Vit  ria Tadeu Bianconi 02 - Vit  ria Tadeu Bianconi 02

Cópia em papel pérola no tamanho 90x60cm
Foto: Tadeu Bianconi/Mosaico Imagem

Vit  ria Tadeu Bianconi 01 - Vit  ria Tadeu Bianconi 01

Cópia em papel pérola no tamanho 140x100cm
Foto: Tadeu Bianconi/Mosaico Imagem

Memória analógica…

Esses dias estava separando fotos para um calendário que será publicado no ano que vem. Além das imagens digitais, mais recentes, revirei meus slides para encontrar umas fotos que gosto muito. Entre as imagens que separei para o calendário, encontrei vários outros slides que estavam esquecidos no arquivo. São imagens produzidas em minhas andanças pelo Espírito Santo.

A pesquisa no arquivo de slides me fez lembrar da era analógica e de como era o trabalho naquela época. Quando comecei na fotografia tive a ajuda e o incentivo do meu pai, Roberto Lordêllo, que era fotoclubista, e me ensinou como usar uma câmera e os seus acessórios, além de dicas de revelação e cópias PB. Mas depois precisei caminhar sozinho e descobrir muita coisa na base do erro e do acerto.

Quando usei um slide pela primeira vez o cara do laboratório falou pra mim “com esse filme você não pode errar, senão não sai nada que presta. A vantegem é a qualidade da imagem”. Claro que o vendedor do laboratório pouco devia saber como era fotografar com slide, mas aquilo me fez ter uma excessiva preocupação com a fotometria.

No começo apanhei um pouco, errava bastante, mas com o tempo, passei a interpretar melhor a luz e, com um critério maior, consegui alcançar resultados melhores. Agora, o mais gostoso era pegar o filme no laboratório e conferir o resultado do trabalho. Claro que tinha umas surpresas, mas quase sempre o resultado era o esperado, do jeito que imaginava que sairia.

Refletindo sobre a realidade de hoje, penso como seria a vida dos novos fotógrafos digitais sem o visor LCD.

Nada contra as novas tecnologias, mas que antes tínhamos que ter muito mais conhecimento do processo fotográfico, tínhamos! E, outra coisa, naquela época não surgiam tantos fotógrafos, só porque compraram uma câmera, como hj! Tem muita gente por ai que fotometra vendo o resultado pelo lcd.

Seguem algumas imagens originárias desses slides esquecidos que separei.

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Café da manhã de um morador da Vila Rubim às 7 da manhã: cachaça, bíblia, banana e milho.

vila rubim 02 bx - vila rubim 02 bx

Só rezando…

vila rubim bx - vila rubim bx

Fundo de um barraco na Vila Rubim, onde se realizavam trabalhos, tipo, trazer a pessoa amada em 10 dias… Essa parte da Vila Rubim não existe mais, foi revitalizada, infelizmente para nós fotógrafos e felizmente para eles.

paneleiras bx - paneleiras bx

Paneleiras de Goiabeiras, onde são produzidas as famomsas panelas de barro capixabas.

paneleiras 03 bx - paneleiras 03 bx

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Cena na Ilha das Caierias, capturada com um velvia 50.

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Depois de uma noite de muita cachaça esse senhor amanheceu em um mesa de sinuca de um bar de Itaúnas…
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e o copo tá na caçapa certinho, hehe
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Amanhecer na praia de Camburi.

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Cena em uma casa no interior do município de Alfredo Chaves durante um curso de fotografia. Esse cachorro foi fotografado por todos os alunos e nem se moveu.
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Encontro de folia de reis em Muqui, sul do ES.
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mãe e filho lavando panelas no Riacho Doce, que divide o Espírito Santo e a Bahia.
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Senhora segurando oratório com a imagem de São Benedito, aguardando a chegada do barco que leva o grupo do Ticumbi para a Vila de Itaúnas.

Prêmio Top Blog

Pessoal, estou concorrendo ao prêmio top Blog de Cultura, conto com a força de todos.



Vendedor desiludido

carro velho - carro velho

Estava passando em Nova Almeida, balneário no norte do Espírito Santo, quando me deparei com este carro anunciado no meio da rodovia.

Eu também duvido rsrs

Lei do direito autoral, vamos fazer valer!

Direito Autoral, vamos fazer valer!

A Lei do Direito Autoral ainda é pouco conhecida e aplicada no dia a dia dos fotógrafos brasileiros. São muitas as infrações praticadas sem que quase nada aconteça com quem as comete. A maioria dos casos de uso indevido de imagem é por desconhecimento da lei que regulamenta o seu uso.

Para muitos, o simples fato de colocar o crédito na imagem já é suficiente para não ter que pagar por ela. Para outros, a internet é uma terra sem lei, e, qualquer imagem que esteja na rede é “peixe”, podendo ser usada indiscriminadamente. Esses são apenas dois exemplos de grandes enganos com relação à lei.

Mas o que podemos fazer para “educar” quem usa imagens sem respeitar seus autores e faz uso delas ao seu bel prazer, sem pagar nada por isso?

A resposta é simples: fazendo valer nossos direitos, se necessário, até na justiça, como muitos colegas já fizeram. Os advogados especializados nessa área são categóricos ao dizer que a maioria dos processos de violação ao direito autoral na fotografia são causas ganhas para o autor das imagens.

Infelizmente, poucos fotógrafos brigam pelos seus direitos, seja no dia a dia de trabalho, exigindo a colocação do crédito nas fotos, ou até acionando a justiça, quando necessário. Isso acontece por dois motivos: por desconhecimento da aplicabilidade da Lei do Direito Autoral (http://www.ufal.br/zeecal/LeiDeDireitosAutorais.htm) ou por receio de ficar mal visto no mercado.

Já encontrei fotógrafo que chegou a falar que isso (entrar na justiça) é coisa de mercenário. O que demonstra um total desconhecimento da aplicação da lei, falta de respeito pela profissão e principalmente desvalorização do nosso trabalho.

Para mostrar como é importante exigirmos nossos direitos, vou descrever um caso simples que aconteceu com um amigo fotógrafo. Há dois anos, esse colega entrou com uma ação na justiça contra uma grande rede de hotéis que atua em vários estados do Brasil.

Essa rede hoteleira fez várias propagandas usando suas fotos, com grande visibilidade, sem pagar nada por elas, sem sequer entrar em contato com ele. Resultado: depois da primeira audiência de reconciliação a rede de hotéis entrou em acordo com o fotógrafo, que finalmente conseguiu receber pela utilização de suas imagens.

O mais importante desse processo foi o resultado conquistado a partir dele. Na semana passada chegou em minhas mãos uma revista de turismo com uma propaganda de três páginas dessa mesma rede hoteleira, praticamente só com fotografias. Na propaganda tinha o crédito do fotógrafo e o site da empresa dele. O fotógrafo foi contratado e recebeu pelo trabalho. Ou seja, a empresa, que há anos usava imagens sem pagar por elas, devido a um processo judicial, “educou-se”, e passou a contratar profissionais para produzir fotos para suas propagandas.

Imaginem se mais fotógrafos exigissem seus direitos?! Com toda certeza, empresas, agências e pessoas físicas iriam pensar duas vezes antes de usar uma foto sem autorização prévia e sem pagar por ela.

Claro que nós fotógrafos temos que agir com bom senso e, quando constatarmos uso indevido de nossas imagens, primeiro devemos entrar em contato com quem as usou para cobrar pela utilização delas. Só no caso de uma recusa de pagamento é que devemos recorrer à justiça.

Não sou advogado, muito menos especialista em direito autoral, mas estudo muito o assunto e já tive experiências que me deixaram indignado com o desrespeito ao trabalho dos fotógrafos profissionais.

Esse artigo é um desabafo e foi a maneira que encontrei de abrir os olhos dos colegas que se preocupam com nossa categoria e que sobrevivem da fotografia.

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